Aula 03 -  Videoarte, olho tátil e feminismo

Na quarta semana, buscamos:

- Dedicar atenção a produção videográfica de mulheres, bem como as contribuições teóricas e visuais das feministas que desenvolveram críticas a partir de uma visualidade háptica.

Por quem passamos?

Adrian Piper, Ana Mandieta, Guan Xiao, Joan Jonas, Letícia Parente, Tabita Rezaire, Regina Vater, Valie Export, Ximena Cuevas, Shirin Neshat, Sonia Andrade, Wu Tsang, Yoko Ono. Maria Lacerda de Moura, Judith Butler, Donna Haraway, Laura Marks.

Para considerarmos que:

- O vídeo, como um meio sem tradição, não tinha história escrita por homens nem domínio de artistas homens.

- Através de experimentações envolvendo o corpo, mulheres desenvolveram críticas às questões de gênero através da videoarte.

- O feminismo vai estabelecer críticas ao pensamento binário que estrutura modos de pensar, perceber, ver, experienciar o corpo.

- A corporificação seria, de modo simplificado, nossa percepção do corpo e da sua relação com o ambiente. Envolve também considerar que a forma a qual enxergamos, a forma a qual somos estimulados a usar o nosso olho e o relacionar com os outros sentidos, é muito marcada por um modo de olhar do Homem, esse homem com H maiúsculo.

- Pensar em corporificação envolve pensar a partir da sensorialidade, para o que sentimos/percebemos antes de atribuir um significado, um sentido para alguma coisa.

- A produção filosófica e artística desde a década de 1960, sendo assim, vai buscar desconstruir esse sujeito Homem, universal, apresentando ele como um cadáver mumificado e de poder exacerbado no cotidiano de nossas vidas. A questão da percepção foi central nesse processo, posto que um dos sustentáculos desse Homem era uma percepção calcada nessa divisão entre corpo e mente.

- A exploração da visualidade háptica envolve a redução do distanciamento que marca a visualidade óptica: ruptura com a observação distanciada.

- Pensar as relações táteis na experiência da imagem em movimento marca um movimento de não se pensar o vídeo como um exterior distanciado para o pensar como um contato somático direto.

- Para Marks, a imagem háptica tem um foco em texturas, close-ups em corpos, expressões táteis como arrepios e objetos que podem trazer, em sua materialidade, memórias que possam estar virtualmente presentes para o espectador.