Aula 04 - Da reprodutibilidade à viralidade

Na quarta semana, buscamos:

Ter contato com conceitos de Walter Benjamin, pensando-os na atualidade, além de buscando fundamentos sobre o que Hal Foster chama "realismo traumático".

Por onde passamos?

- Pelos conceitos de inconsciente óptico, aura, realismo traumático e não consciente algorítmico.

- Pictorialismo, Surrealismo, Lázlo Moholy-Nagy, Andy Warhol, pinturas fotorealistas, Hito Steyerl.

Para percebermos que...

- Benjamin  debocha da necessidade do fotografo se legitimar perante a cadeira de um juiz que ele mesmo derrubou, ou seja: o valor que a pequena burguesia atribuía aos objetos, a partir da fotografia, deixou de ser o valor relevante para que o fotografo se sinta legitimado a fazer arte. Ele não precisa da aprovação da burguesia dizendo que o que ele faz com a fotografia é arte, pois a fotografia chacoalhou e transformou o próprio inconsciente da sociedade.

- Entre a câmera e o mundo ele vê se estabelecer uma relação que é estranha aos olhos humanos e que define a concepção de um espaço em que o humano penetra inconscientemente, um espaço que é regido pelas técnicas e teorias da óptica.

Ou seja, nós humanos penetramos nesse inconsciente e ele é regido pelas técnicas e teorias da óptica. Daí emerge um importante conceito de Walter Benjamin, o de inconsciente óptico, sobre o qual ele diz só conhecermos através da fotografia.

- A fotografia, e a reprodutibilidade no geral, afetaram profundamente a tradicional aura que envolve as obras de arte. As imagens puderam ser reproduzidas infinitas vezes, distribuídas ao redor do mundo em pouco tempo através do telégrafo. Uma obra de arte poderia ser algo que se distribui assim, que se reproduz infinitamente? O debate sobre essa questão passou pelo conceito de aura. Mas o que é aura? A aura seria uma estranha trama de espaço e tempo: o aparecimento único de algo distante, por muito perto que esteja. Tentando deixar mais claro, aura é algo que consegue se fazer presente para nós ao mesmo tempo que está em um espaço e tempo estranho, distante.

O real emergiria ao romper a repetição, uma ruptura que se dá mais na nossa própria subjetividade, na nossa percepção na nossa consciência de sujeitos ao sermos tocados por uma imagem. Surge então uma clara confusão entre o sujeito e o mundo, o dentro de nós e o fora de nós, e a reprodutibilidade da fotografia é um aspecto desse trauma. Talvez a própria fotografia ter emergido seja um evento que associa realidade e trauma. A fotografia mostra a impossibilidade e a perda da segurança no ideal de realidade.  A fotografia causa uma ruptura com o real. E essa ruptura traz consigo um trauma.

- Da noção de reprodutibilidade fotográfica nós chegamos à viralidade. A fotografia pode ser não só reproduzida infinitas vezes, mas viralizada em uma temporalidade tão intensa da rede que seus estragos, como instrumento de fabricação da realidade, podem superar e suprimir noções individuais ou coletivas do que é o real. Os efeitos disso podem ser altamente desastrosos.